E entre soluços, parte de sua dor salta pelos olhos, escorrendo pelo rosto até encontrar o chão. Sua respiração é falha e com sua visão já turva de lágrimas, mal consegue chegar ao quarto, seu melhor refúgio.
Pega papel e caneta, começa a escrever, escrever, escrever. Sem pensar, deixa que suas angústias tomem o papel e que ali se eternizem. O alívio só vem depois do quinto parágrafo, quando seus dedos, um tanto quanto adormecidos, não conseguem mais escrever. As lágrimas já não existem mais, restando somente a ponta do queixo ainda umedecida. Sua respiração agora é calma e restauradora. Pensa no que sente e no que gostaria de sentir. Respira fundo, mas não chega a grandes conclusões. Por outro lado não se imagina sentindo nada tão fascinante e inesquecível como antes. Tudo passa.
Tem pouco tempo de vida, mas sente que com a companhia das palavras e de seu poder imensurável atingirá quantos anos mais quiser ou precisar.
Tudo depende dela, de mais ninguém.
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