Monthly Archive for fevereiro, 2010

.companhias

E entre soluços, parte de sua dor salta pelos olhos, escorrendo pelo rosto até encontrar o chão. Sua respiração é falha e com sua visão já turva de lágrimas, mal consegue chegar ao quarto, seu melhor refúgio.

Pega papel e caneta, começa a escrever, escrever, escrever. Sem pensar, deixa que suas angústias tomem o papel e que ali se eternizem. O alívio só vem depois do quinto parágrafo, quando seus dedos, um tanto quanto adormecidos, não conseguem mais escrever. As lágrimas já não existem mais, restando somente a ponta do queixo ainda umedecida. Sua respiração agora é calma e restauradora. Pensa no que sente e no que gostaria de sentir. Respira fundo, mas não chega a grandes conclusões. Por outro lado não se imagina sentindo nada tão fascinante e inesquecível como antes. Tudo passa.

Tem pouco tempo de vida, mas sente que com a companhia das palavras e de seu poder imensurável atingirá quantos anos mais quiser ou precisar.

Tudo depende dela, de mais ninguém.

.insuficiências

Eu queria ser especial, assim como os grandes poetas, e ter o dom de colocar em palavras tudo que sentimos e que não conseguimos explicar. Mas entre vírgulas, espaços e pontos finais, tropeço nos pensamentos fugazes e desordenados que buscam combinações dentro do alfabeto para no final caírem sobre o papel em branco, uma a uma. Mas entre perdas e atritos, nada resta senão a sensação de que as combinações nunca dizem tudo que queremos e que o alfabeto inteiro continua sendo insuficiente.

De volta à estaca zero, concluo que me faltam palavras, mas sobram sentimentos…