E ela queria morrer.
Se jogava em frente aos carros em alta velocidade, enquanto se desesperava cada vez mais a cada fracasso. Todos os braços que a seguravam não eram suficientes para amenizar sua determinação. O corpo era contido, mas o espírito estava decidido do que queria.
Dos seus olhos só lágrimas saíam e seus soluços ecoavam pela rua, espalhando pelas esquinas toda sua dor. Sua perda superava seu viver, pelo menos era o que pensava naqueles instantes. Morrer era a solução, e ponto.
Não sabia quem era e nem o que seria se morrer não desse certo. Seu coração em pedaços ficou, ali, naquela calçada cheia de terra e tristeza. Depois de muita insistência, levantou-se com o peso do passado nas costas e com a perna machucada enganando o pisar.
Entrou no carro um pouco mais calma, mas depois disso… quem sabe? Só Ele para dizer que destino aquela alma teve.
Não existia luz naquela noite. Não existia opção.
Nada existia naquele momento, senão dor.
Felicidade que transborda pelas bordas dos copos cheios de emoção.
E olhares e sons e luzes e cheiros e sabores e sorrisos e saciedade.
Eu sou o todo com mais um pouco de mim mesma.
Eu sou eu, eu sou você, eu sou nós.
Eu sou feliz e ponto.
Solidão também vem acompanhada das palavras amontoadas esperando para serem ditas e dos momentos inquietos onde tudo o que se quer é ouvir, ouvir, ouvir… sem parar. Pelos dedos, pela boca, pelos olhos. Quando falar mistura-se com escutar, e quando estar perto não significa estar junto. Ouvir, ouvir ouvir… o silêncio às vezes corrói.
Não faça o que todos fazem, o tempo todo, do mesmo jeito, sem tirar nem por.
Enxergue além.
Realize além.
Planeje além.
Pense além.
Vá além.
Ame além.
Viva além da mediania.
Como tudo na vida, chega um momento em que só fazer o “necessário” deixa o quadro sem vida e toda a obra do pintor acaba perdendo o brilho e majestosidade.
E há dias em que acordamos mais escuro e menos claro.
Mais noite e menos dia.
Mais frio e menos calor.
Mais silêncio e menos barulho.
Mais abraço e menos beijo.
Mais carinho e menos teorias.
Mais paciência e menos questionamentos.
Mais amor e menos dor.
E aí invertemos tudo.
Porque há dias em que acordamos mais nós mesmos e menos os outros.

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Meu coração de papel.
Olhou para o céu.
Caiu no abismo.
Agradeceu.
Viu que céu lá também tinha.
E flores, e sabores, e sons, e orvalho.
E sorrisos. E luz. E sentimentos.
Tudo misturado com Amor.
Lá tinha muito Amor.
De todo jeito, forma e cor.
Então transformou-se.
E de papel meu coração deixou de ser.
Teu ser tem um quê de querer mais, sempre.
Perto do peito a gente encontra um pedacinho do mundo,
Bem escondido e com cheirinho de alecrim.
Meu alecrim sem fim.
Vida em mim.