Partir é algo que eu não gosto. Ver alguém partir menos ainda. Quem vai leva consigo a esperança de voltar, as boas recordações, os sorrisos, fatias do tempo guardadas nos cantinhos da mala [jóias raríssimas!]. Já quem fica, fica com aquela sensação estranha, como se algo de si estivesse indo junto com aquele aceno de adeus. O tempo pára, o dia não passa, as coisas não acontecem.
Não acontecem…
Definitivamente, distância é uma palavra que eu não gostaria de ter no meu dicionário.
… mas eu entendo sinais. Por mais simples e sutis que sejam, eu os entendo. Surgem de todos os lados, com formas variadas, sons assíncronos e descompassados. Um toque aqui, um silêncio ali, e então eu vejo duentes saindo dos cantos do quarto, com olhos brilhantes e sorrisos melancólicos, receosos por mim, pelo que eu ainda não vi. Ou não absorvi. Ou não senti. Ou… (ponto)
Sinalizo então aqui, com meia dúzia de palavras cinzas, o que meus olhos não podem dizer, que no final das contas, é simplesmente o que eu não queria entender.
(ponto)
15:00. Quase afônica, eu me questiono o porquê de certas coisas serem simplesmente… certas coisas. Se eu tivesse o poder de entender tudo, e de forma simplificada, não guardaria só para mim.
Sussurro baixo, ninguém me escuta. Ok, um anti-inflamatório vai cuidar direitinho disso.
Mas e das perguntas, quem cuidará? Não sei. Então, que fique como está. Ainda que eu tente entender tudo, o momento só me indica que o tempo é o melhor remédio para solucionar problemas criados por nossas próprias mentes.
Nossas mentes… por que tanto pensam?
15:08. Ainda quase afônica, fico na espera de que, um dia, meus sussuros venham a ser ouvidos por alguém…