Sono após o almoço é um “problema”, às vezes. Ainda mais quando você não pode dormir, tem coisas para fazer, mas não consegue finalizar um raciocínio sequer decentemente. Você olha para os lados e vê… aliás, não vê, “pesca”. Começa a pensar na sua cama, gostosa, fofinha, aquele cheirinho conhecido do travesseiro. Ai, que sono que dá!
Resolve levantar, andar um pouco, corredor vazio…
… tudo vazio.
Toma um café, olha pelo vidro da recepção, volta, senta um pouco no sofá, pensa… pensa… cochila.
“Pequenos sonhos embutidos em um discreto piscar de olhos…”
Aquele piscar que acontece assim, devagarinho, sem que você se dê conta, nem encontre meios para resistir (e quem disse que a intenção é resistir?). O corpo todo fica molinho, os sentidos se perdem e pronto, a partir dai já não tem mais volta.
Os pequenos surgem, e te encontram ali, indefeso. Te insultam e provocam, com o único propósito de te lembrar que eles existem e que não adianta fugir. Eles sempre estarão lá. Aqui. Aí.
E de repente, um tilintar de chaves, uma maçaneta que abre ou a porta de um carro que se fecha, te desperta, e você volta… não tão devagar, mas volta. Olha para os lados mais uma vez e se pega pensando em como é bom sonhar.
Mesmo que em momentos assim, inesperados.