Monthly Archive for fevereiro, 2006

.enquanto isso…

Sono após o almoço é um “problema”, às vezes. Ainda mais quando você não pode dormir, tem coisas para fazer, mas não consegue finalizar um raciocínio sequer decentemente. Você olha para os lados e vê… aliás, não vê, “pesca”. Começa a pensar na sua cama, gostosa, fofinha, aquele cheirinho conhecido do travesseiro. Ai, que sono que dá!

Resolve levantar, andar um pouco, corredor vazio…

… tudo vazio.

Toma um café, olha pelo vidro da recepção, volta, senta um pouco no sofá, pensa… pensa… cochila.

Pequenos sonhos embutidos em um discreto piscar de olhos…”

Aquele piscar que acontece assim, devagarinho, sem que você se dê conta, nem encontre meios para resistir (e quem disse que a intenção é resistir?). O corpo todo fica molinho, os sentidos se perdem e pronto, a partir dai já não tem mais volta.

Os pequenos surgem, e te encontram ali, indefeso. Te insultam e provocam, com o único propósito de te lembrar que eles existem e que não adianta fugir. Eles sempre estarão lá. Aqui. Aí.

E de repente, um tilintar de chaves, uma maçaneta que abre ou a porta de um carro que se fecha, te desperta, e você volta… não tão devagar, mas volta. Olha para os lados mais uma vez e se pega pensando em como é bom sonhar.

Mesmo que em momentos assim, inesperados.

.impressões

E eu sai de lá assim, como quem não sente o chão sob os pés. Perplexa, perdida, sem rumo. Assustada até, mas ainda assim meio que com anestésico nas veias, percorrendo o corpo inteiro. Único pensamento: fugir. Mas, para onde?

Não tem para onde…

E então eu segui por um caminho qualquer, olhando as ruas, os rostos, os gestos, as cores e movimentos. Observando cada detalhe, meio que tentando fazer parte daquilo tudo. Na realidade eu era. Eu sou. Você é…

Senti o ar quente vir de encontro ao meu rosto, a luz forte do sol incomodar meus olhos, os carros passarem, eu olhar para um lado… para o outro… e enfim, atravessar. Com paciência, sem pressa. Mais cedo ou mais tarde eu chegaria onde precisava. Então, pra que correr?

Cheguei. Parei. Senti…

Um peso, quase que gigantesco sobre os ombros. Respirei fundo e percebi que a cabeça não pensava mais, só sentia… doer. Me imaginei por mais algum tempo assim, e acabei não concebendo mais esse tipo de pensamento.

Deitei.

Dormi.

Acordei.

Conclui então, que o fardo não é dado a quem não consegue carregar. E é devagar que eu vou chegar lá. E de repente, tudo passa. Outros vêm e todo o ciclo se completa, dando início a outro, e outro, e mais um, dois, três…

Porque, o importante mesmo, é ter onde chegar.

.inquietação

Talvez a palavra que mais represente o que sinto no momento é inquietação. Mãos que não páram, pernas que se mexem, olhos que não fecham e pensamentos que não encontram um lugar definido para repousarem.

Calor, calor! Como ele agrava! Agente catalisador de emoções, sentimentos e impressões vagas de “flash’s” momentâneos.

Apreensão, começo de uma nota etapa, árdua, porém recompensadora… acho. Ou espero. Na verdade, pretendo. Confuso? Talvez…

A música toca, assim, suave, discreta. A calmaria vem chegando, devagarinho, e as palavras fluem, simples, flutuando sobre a tela branca. Mas as mãos estão lá, vívidas, quase que em êxtase. Teimosia constante, aliada à voracidade com que tentam expressar em palavras o que o coração está sentindo…

… inquietação. Pura e simplesmente.

Dormir é remédio. Cantar é remédio. Dançar é remédio. Abraçar é remédio. Banho de chuva é remédio. Ouvir é remédio. Falar é remédio. “N” opções podem ser… remédio.

Mas, no caso, no momento e nas atuais condições, escrever…

também é remédio.

.subliminar

Sutil, como quem não tem pretensão de marcar. Marcante, como quem não tem intenção de se deixar esquecer. Risonho, ponderado, intenso, verdadeiro. Audácia comedida, inteligência nas entrelinhas. Caractere por caractere, byte por byte. Um lego. Um ego. Um… algo.

Um toque, um “quê” de especial. Talvez prematuro, porém complexo, amplo, vasto.

“Vastas emoções e pensamentos imperfeitos…”

Descrição, que por sinal, não é minha. Mas, talvez seja a melhor forma de expressar isso.

Seja lá o que isso for…