Um começo. Um impulso. Preciso, agora, já! Palavras, pensamentos, frases incertas, desconexas. Nada faz sentido.
E algum dia fez?
Elas fogem, se escondem, plantam em mim a incerteza de tê-las imaginado, ou não. Sonho, delírio, visões? Nada sei. Nada lembro. Amnésia quase constante. Fogem, corre, pega!
Olhei a tela branca, assim, tão singular. Pensei em falar sobre ausência. Só pensei. Como se adivinhassem, elas apareceram, como peças de um quebra-cabeça, jogadas sobre o branco a minha frente.
Tentei, em vão, montá-las. Faltavam peças, mas continuei montando, juntando, imaginando, inventando…
… quanto ando.
Um buraco aqui, outro ali. O que contemplo é um vulto, um esboço, imaginação?
Recordei Drummond…
As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livre por vezes um desenho,
são puras, largas, autênticas, indevassáveis.
.. e entendi, então, o porquê de tudo. Ou, quem sabe… quase tudo.