.e é sempre assim

julho 3rd, 2009
heart_shaped_birds

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“O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse?

Mas a gente nunca conhece.”

Charles Bukowski

Por que o ser humano é tão insatisfeito? Eterno questionamento sem respostas. Por que achar que precisa se estar com alguém diferente a cada dia para se sentir completo? Só para experimentar? Como assim? Por que é tão difícil encontrar uma forma genuína de amar? Pra que tantos esteriótipos, revoltas, modismos, feminismos, machismos, radicalismos, posturas irredutíveis e autodestrutíveis? Pra que palavras agressivas no lugar de gentilezas? E pra que bancar de forte e insensível quando na verdade o que se precisa é de um pouco de carinho e um abraço? Pra que deixar de ser você por conta da opinião formada da maioria que mal sabe o que quer da vida, quanto mais do amor?

E pra que tantas perguntas, se no final das contas tudo é tão mais simples do que costumamos achar?

Não sei. Nunca soube e acho que continuará sendo sempre assim…

.os dias mais felizes - II

julho 2nd, 2009
amor

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Se eu pudesse eu deixaria todos os meus dias coloridos e brilhantes assim. Faria com que as tristezas ficassem nas pegadas dos dias que se acabam. Faria com que a cada novo fecho de luz um sorriso se abrisse. Deixaria que o rosa, o azul, o marrom, o preto, o lilás, o amarelo e as centenas de milhares de outras cores invadissem nossas palavras e pintassem o mundo com belas frases e sentimentos verdadeiros. Faria com que todos os corpos se encontrassem quando sentissem vontade e que o calor de todos eles aquecesse os outros corações já tão machucados e sem esperança.

Se eu pudesse eternizaria os momentos em que a paz toca nosso coração e principalmente aqueles em que vemos bem diante dos nossos olhos toda a essência da nossa felicidade.

É, talvez eu sonhe demais. Mas antes assim que de qualquer outra forma.

.quem faz?

julho 1st, 2009
Dia lindo

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A tarde estava agradável, um vento suave passava por entre os cabelos de quem se atrevia a sair pelas ruas e um sol brilhante aquecia do invisível ao majestoso. Ela olhou pela janela e pôde ver um passarinho passear pelos galhos de uma árvore. Pulava, cantava, subia, descia sem parar. Elétrico, vívido, colorido! “Estaria ele feliz?”, questionou. Ela continuou olhando o passarinho curiosamente. Por instantes pensou que poderia sair um pouco para caminhar e apreciar tudo ao redor. Respirou fundo, fechou os olhos, hesitou em sua introspecção.

Minutos depois seu corpo saiu porta a fora, buscando encontra-se em si mesmo, enquanto seus pensamentos ficaram naquele pequeno quarto rodeado de paredes frias e desbotadas.

Mas independentemente de ficar ou ir, o dia continuaria seguindo, lindo e acolhedor como deveria ser.

.dias frios

junho 26th, 2009

São os que levam nossos pensamentos para longe da nossa compreensão e que tiram nosso raciocínio, deixando no lugar divagações repletas de questionamentos incompletos. Dias frios aproximam matéria, no mesmo instante em que distanciam essência. Fazem a gente pensar em todas as sensações que sentimos e no porquê de cada uma delas refletir de formas diferentes em cada um de nós.

O vento gelado corta o rosto e deixa marcas no coração. A fumaça branca saindo da boca leva para longe a alma dissolvida em sentimentos solitários e inconstantes.

Só resta a tristeza.

.pisca e ama

junho 23rd, 2009
Emília

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“…a vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca.
A gente nasce, isto é, começa a piscar.
Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu.
Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso.
É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais.
A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso.
Um rosário de piscadas.
Cada pisco é um dia.
pisca e mama;
pisca e anda;
pisca e brinca;
pisca e estuda;
pisca e ama;
pisca e cria filhos;
pisca e geme os reumatismos;
por fim, pisca pela última vez e morre.
– E depois que morre – perguntou o Visconde.
– Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”

Monteiro Lobato, “Memórias de Emília”, 1936.

.irrelevante?

junho 20th, 2009

“Porque o amor não pode ser eterno e os casais eternos namorados, que se apaixonam todos os dias um pelo outro? Sem traição, sem rotina… sem sofrimento.”

Indagação de uma amiga com o coração aflito. Indagação de todos nós. Uma irrelevância sem fim? Idealização? Sonho? Inconcebível?

A humanidade é incapaz de entender algo assim? Vivenciar… experimentar… tentar? Nem tentar?

Pena.

.besides

junho 2nd, 2009
just a ring

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” … what do you really expect from love? … “

.os dias mais felizes - I

maio 25th, 2009

E eles respiraram arte juntos. Ouviram arte juntos. Olharam para tudo aquilo com olhos de crianças abertas ao novo, ao surpreendente, ao sensível e inusitado. Eles compartilharam dias de sol juntos, conversas, idéias, chuviscos, amizades, desejos, noites, cheiros, sabores e mãos dadas. Se cuidaram, se amaram e se abriram para uma nova fase que se iniciava.

Alguns dias passaram rápido, outros nem tanto. Mas com certeza petrificaram no coração a constante sensação de que foram os melhores de todos os tempos.

.asvezesdoi

maio 25th, 2009

Amar às vezes dói.

Mas vale a pena.

.azul

maio 23rd, 2009

Hoje o dia amanheceu azul. Azul de cor de sonho que a gente tem quando é criança. De quando a gente não se importa se vai fazer sol ou chover chocolate. Época em que a gente reclama que os dias demoram para passar, mas acha chato quando tem que ir dormir e não pode mais brincar. Tempo repleto de coisas boas que hoje lembramos com nostalgia e saudades. Coisas que não podem ser descritas com o nosso pobre vocabulário, tampouco cabem nesse quase ínfimo espaço de pensamentos irreais.

Mas o dia amanheceu azul. Azul, o dia amanheceu.

.o passado que ainda é hoje

maio 20th, 2009

E o coração dele ainda bate.

bate … bate … bate … bate …

Respira, pára, olha.

bate … bate … bate … bate …

Pára, olha, encara, se esconde e respira.

respira … respira … respira … respira …

Olha, beija o rosto, abraça (…)

batebatebatebatebatebatebatebatebatebatebatebatebatebatebate!

Se despede. Olha. Respira e bate.

bate…

bate…

bate…

… por ela.

.aquele amor

maio 13th, 2009

Ela pode não ter aquele amor de cinema para oferecer, cheio de glamour, brilho, belas frases e efeitos impressionantes. No lugar ela tem um amor simples, um curta onde os pequenos acontecimentos fazem toda a diferença.

Ela tem aquele amor com gosto de cócegas na barriga quando menos esperamos. Amor com massagem nos pés cansados e cafuné no pescoço. Aquele amor que olha nos olhos e enxerga o mundo inteiro, bem ali na sua frente. Aquele amor de tocar, de andar de mãos dadas, de abraçar apertado sem querer soltar.

Aquele amor pacato de ficar vendo televisão até tarde debaixo do edredon e no meio do filme fazer um chá quentinho pra perfumar tudo ao redor. Mas é aquele amor de calor também, de suor, de cheiros, de sol, de pé descalço na areia deixando as ondas do mar trazer a sensação de paz que tanto precisamos.

Amor de conversas desconexas, risadas, madrugadas com música, fotografias, emoções, chocolate quente, beijo com gosto de hortelã e cheiro de canela.

O amor que ela tem é assim. Gradativo e infinito nas definições. Amor que cresce dia após dia e aumenta o sorriso dos olhos a cada “eu te amo” dito.

.todo cheiro

abril 7th, 2009

Todo cheiro tem um quê de querer. Quê de aproximar. Quê de envolver. Quê de ficar perto e não querer sair mais. Grudar. Colar. Enfeitar. Fundir. Polir. Colorir. Sorrir. Sorrir… ?  De que?

Do Quê que o cheiro dá.

.starting

fevereiro 27th, 2009

Recycling ideas…

.1s, 2s, 3s, …, 10s

maio 5th, 2008

E tudo volta como em um súbito e profundo suspiro, durando por segundos e desaparecendo novamente, aliviando a abstinência constante e irreparável. Concluo então que a habilidade de escrever é esporádica e momentânea. Tudo se vai em questão de instantes. Retorno em meio aos minutos inquietos das minhas reflexões solitárias e vou-me embora novamente entre o vazio das telas brancas e das palavras ausentes.

Nada de poesias, textos, trechos, frases, sílabas juntas fazendo algum, ou nenhum, sentido. Nada de começo nem de fim. Fica pairando entre o tudo e o nada. Meios sem lados que se encontram.

Mas eu sempre volto. Ainda que por segundos…

(texto de 19.05.2008)

.rotina

setembro 20th, 2007

Acorda. Levanta. Pensa. Anda. Deita. Pensa. Levanta. Olha pela janela. Liga o computador. Desliga. Toma água. Volta. Deita. Pega um livro. Guarda o livro. Pensa. Liga o mp3 player. Cochila… uh! 5 minutos. Acorda. Desliga o mp3 player. Levanta. Pensa. Anda…

… e começa tudo de novo.

(texto de 20.09.2007)

.fração

maio 20th, 2007

E o sentimento de fugacidade aumenta a cada dia. É como se tudo fosse se esvair antes que eu sinta o gosto, o cheiro… assim. Da forma como vem, vai. Fica aqui um quê de “por quê?”, “como?”, “pra que?”.

É um tempo, um momento? Uma fração de segundos que faz toda a diferença?

É. Faz.

E acaba assim, sem nem deixar sinal se volta ou não…

(texto de 20.05.2007)

.fragmentos de uma reflexão

março 26th, 2007

E sempre que começo, quase nunca termino. Ando pelos cômodos procurando sinais de uma presença inexistente. Semelhanças não preenchem espaços únicos.

Eu busco a presença…

Parte de mim diz que para tudo há seu tempo. A outra parte diz que o tempo é fruto das nossas decisões.

Eu busco decidir…

Entendo que manifestações inquietas geram atitudes mais autênticas, sinais de evolução.

Eu busco evoluir…

Continuo andando pelos cômodos, observando cada detalhe que faz parte de mim. Todas as formas me dizem algo que eu ainda não entendo.

Eu busco entender…

É fácil olhar a conformidade como remédio para as dificuldades, mas eu não quero remediar, eu quero solucionar.

Eu busco encontrar…

E se me perguntarem o porquê da reflexão, eu responderei:

- “Eu tenho pouco tempo, e o sentido das coisas não está naquilo que dizem para você, mas sim naquilo que você descobre dentro de si mesmo.”

Sendo assim, eu busco descobrir… ainda que em meio a fragmentos.

(texto de 26.03.2007)

.se dar conta

março 3rd, 2006

13:40h. Sala vazia, luz apagada, música ao fundo. Cruzo os braços, olho fixamente a tela do computador em minha frente, me perco. Não sinto sono, não sinto fome, nem cansaço, nem calor, nem frio, nem… nada. Vazio de parede a parede, do chão ao teto. Isso me remete a época em que eu só me sentia bem se estivesse sozinha. Pegava meus papéis, lápis de cor, canetas e afins, me enfiava em um cômodo qualquer e ficava lá por horas… eu e eu.

Vivia no meu mundo de imaginações infantis, de desenhos coloridos, de casinhas “mal” projetadas, mas nem por isso menos graciosas. De cachorros que não latiam, gatos que não miavam, mas que me diziam muita coisa, só pelo fato de estarem ali, me fazendo “companhia”, com todas suas cores, formas e trejeitos únicos.

A mãe chamava, eu não escutava. Encontrava-me imergida em pensamentos que nem sequer entendia. Não me importava se era dia, se ia chover, se o tempo passava ou se parava. Relógio praticamente não existia. Tempo era sempre… tempo. Não era vilão, nem mocinho. Era o que tinha que ser, e não o que eu queria que fosse.

Era como se todo o resto não fizesse diferença se eu também não fizesse diferença. Relação de mutualidade? Talvez. Na verdade, quase certeza. E é estranho pensar nisso agora. Às vezes é resultado da solidão, mas não aquela que todos se referem (na maioria das vezes), mas sim aquela que todo mundo tem um pouco, mas que nem sempre se dá conta.

E tudo isso só me faz pensar que “se dar conta” é a melhor coisa, ainda que pareça o contrário. Afinal, hoje em dia é tudo tão corrido, tão fugaz, que parar e se encontrar só consigo mesmo é momento raro. Você e você, e ponto. É quando você pára, se olha no espelho e percebe como mudou, como a vida te marcou e como você está mais bonito/feio/velho/diferente. Não só por fora, mas por dentro também.

Você se dá conta que o mundinho de casas mal projetadas ainda existe, mas que agora a edificação é diferente e que teve todo um aprendizado por trás. Percebe que algumas pessoas passaram pela sua casa e brincaram com seus cachorros, acariciaram seus gatos e também partilharam suas imaginações. Que solidão nada mais é do que um reencontro, um desabafo, todo um retrocesso, que só para contrariar mesmo, eu digo que pode ser positivo.

Basta querer que seja. E ainda que a música me faça pensar em “deixar esse mundo por enquanto”… eu prefiro ficar nele mais um pouco.

Nele, e em todos os outros.

(texto de 03.03.2006)

.imaginação

março 3rd, 2006

É ela que me puxa, que atrai, e que trás para perto o que quero. Meu ímã, meus extremos, meu palco de shows incomparáveis. Minha loucura explícita, minha caixinha de sonhos arrebatadores. Meu calor, meu frio, meu meio termo não tão meio assim. A âncora que me pára, o vento que sopra a vela que me leva, e leva… leve.

Meu conserto, meu acerto, meu desarranjo. Meu erro, minha certeza, minha desilusão.

Minha volta ao mundo sem sair do lugar.

Meu A, meu B… meu Z.

Meu ponto chave.

Meu .C

(texto de 01.03.2006)